" Não tenho certeza de nada, mas a visão das estrelas faz-me sonhar "
Vincent van Gogh



| Série Destruição |
Fragmentos de emoção atravessam a superfície como lembranças incompletas. Entre transparências, gestos e manchas de cor, a memória surge instável, em constante movimento.


| Série Luz Vedada |

180. I | Diante da Linha | Um horizonte indefinido atravessa a superfície como uma fronteira interior. A linha não separa: conduz. Entre transparências e zonas de sombra, a pintura procura um lugar de equilíbrio entre o silêncio e a possibilidade de avanço.
181. II | A Decisão | A matéria abre-se em gestos mais afirmativos, como se algo finalmente emergisse da suspensão. A luz, parcialmente velada, revela a tensão entre permanência e transformação, entre o impulso de partir e o desejo de permanecer.
182. III | Estado | Tudo parece reduzido ao essencial. A composição dissolve-se numa atmosfera rarefeita, onde o gesto mínimo adquire presença absoluta. Não há narrativa explícita, apenas um estado interior em suspensão contínua.
| Série Território Ferido |

184. | Zona de Impacto | Entre pressões e fraturas | Há um ponto onde a matéria cede. Não por rutura imediata, mas por tensão acumulada. O tecido não cobre nem protege: atravessa. A superfície guarda o gesto. O que vemos não é o evento, é uma zona de pressão
185. | Antes da Abertura | Entre pressões e fraturas | A matéria suspende-se num equilíbrio instável. Entre aproximação e queda, o contacto permanece inconcluso. Nada rompe ainda, mas tudo anuncia cedência.
186. | Plano de Rutura | Entre pressões e fraturas | O território encontra-se num estado de contenção extrema. Uma massa densa exerce pressão sobre uma superfície que resiste. Os fios prolongam a tensão entre suporte e fragilidade. Nada cede completamente. Tudo permanece suspenso entre resistência e ruptura.

187. | Lugar da Abertura | Entre Pressões e fraturas | A matéria organiza-se num equilíbrio instável. O tecido curva-se sob tensão, sem ceder por completo. Entre campos opostos, instala-se uma passagem precária, onde fragilidade e resistência coexistem.
188. | Zona de Pressão | Entre Pressões e fraturas | A forma deixa de afirmar e começa a ceder. A geometria perde nitidez ao confrontar-se com uma massa mais densa e instável. Não vemos a queda, mas o instante anterior: quando a estrutura já não sustenta plenamente o próprio peso.
189. | Pressão Ascendente | Entre pressões e fraturas | A matéria concentra-se num limite denso e irregular. Do outro lado, o vazio permanece aberto. Entre ambos, um fragmento têxtil introduz uma contenção precária, como se algo ainda resistisse a ceder.

190. | Linha de Abertura | Entre pressões e fraturas | A matéria acumula-se e eleva-se em silêncio. Entre densidade e vazio, forma-se um território instável, onde os rasgos persistem como memória. Nada aqui está concluído: a superfície permanece em processo.
191. | Cedência de Terreno | Entre pressões e fraturas | No campo quase silencioso, a rutura não se impõe: permanece. Um foco principal concentra a matéria ferida, enquanto um vestígio distante responde como eco. Entre ambos, uma diagonal ténue sustenta a memória do impacto.
192. | Depois da Fratura | Entre pressões e fraturas | A superfície já não resiste. A matéria avança, rompe e sobe, deixando acima de si um espaço suspenso e vulnerável. O que antes era sinal torna-se consequência.
| Série Memórias do Antes |


